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terça-feira, 3 de março de 2009

O texto:
Passam carros.

Autocarros.
Sirenes das ambulâncias.
Vão em bandos. Vão aos molhos.
Passam as pessoas.
Vão agitadas. Molhadas.
A chuva cai.
Respira-se o stress.
O tempo passa.
Os minutos correm.
As horas voam.
Os sentimentos, as sensações passam no ar como partículas de pó.
É tanta a informação que vai,
que volta,
retorna a ir e (re)volta.
Quero que as pessoas desapareçam.
São mesquinhas, desprezíveis.
Quero ficar só eu com os meus.
Quero-o aqui.
Ao pé, à beira.
Abraçado a mim.
A olhar para mim.
A falar para mim.
A sorrir para mim.
Quero o perfume dele.
O toque dele.
O olhar dele.
O acariciar dele.
As palavras dele.
Quero-o a ele.
Não o tenho.
Nunca o tive.
Agora ainda menos.
Dói. Magoa. Arde no peito.
Fervilha na mente. Arrasa comigo.
Estende-me ao comprido, no chão.
Faz de mim tapete.
Onde pisam e repisam.
Calcam e recalcam.
E dói mais.
Torna a doer. Cada vez mais.
Não passa.
Nem com o tempo.
Ficará. Permanecerá para sempre.
Um sempre até morrer.
Um sempre até que dure.
Um sempre até que acabe.



A imagem:

2 comentários:

Carpe Diem disse...

Lindo...arte com arte...imagens e mil palavras que comovem...fazem senir...mesmo que estejamos mortos...
...parabens

Inês disse...

Nós aceitamos os parabéns com muito gosto ^^

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